Sustentabilidade deixou de ser um relatório publicado ao fim do ano para se tornar um método de gestão. Foi essa a transformação conduzida pela IRL Consult no Grupo Tour House, um dos principais ecossistemas brasileiros de turismo corporativo, eventos, incentivos e mobilidade, ao longo do ciclo de 2025.
O trabalho partiu de uma pergunta objetiva: como transformar temas ESG prioritários em decisões, indicadores, rotinas e planos de ação acompanháveis? A resposta combinou governança, metodologia, dados e corresponsabilidade entre áreas internas, fornecedores e parceiros estratégicos.

Do diagnóstico à governança da implementação
O Grupo Tour House já havia concluído sua Matriz de Materialidade, que consolidou dez temas ESG prioritários: gestão de fornecedores para sustentabilidade; atração, retenção e desenvolvimento do capital humano; gestão econômica e financeira; direitos humanos, diversidade e inclusão; relacionamento com cliente; privacidade e segurança da informação; gestão de resíduos; planejamento estratégico e sustentabilidade; gestão de riscos; e iniciativas e parcerias setoriais.
O desafio seguinte era maior: converter esses temas em planos de ação com responsáveis, prazos, indicadores, riscos, oportunidades e mecanismos de acompanhamento. Para sustentar essa evolução, a organização consolidou seu Comitê Estratégico ESG e contou com o apoio técnico da IRL Consult & GO Associados no planejamento, execução e monitoramento das iniciativas prioritárias.
A gestão passou a ser conduzida pela metodologia PDCA, com reuniões quinzenais envolvendo o Comitê ESG e grupos técnicos dedicados a fornecedores, resíduos e capital humano. A agenda deixou de depender apenas de intenções registradas em documentos e passou a operar como rotina de gestão.
Sustentabilidade como elemento central da gestão: essa estrutura fortaleceu a governança, ampliou a capacidade de execução das ações estratégicas e acelerou a evolução da maturidade ESG do Grupo Tour House.
Relatório de Sustentabilidade 2025 do Grupo Tour House
83 fornecedores avaliados com metodologia própria
Um dos avanços mais relevantes do ciclo foi a primeira Avaliação ESG da Cadeia de Fornecedores, que alcançou 83 parceiros estratégicos. A base incluiu redes hoteleiras, companhias aéreas, empresas de seguro viagem, mobilidade, agenciamento, tecnologia, eventos e serviços gerais.
A avaliação utilizou o Score ESG IRL&GO, ferramenta proprietária estruturada para medir maturidade ambiental, social e de governança. O processo combinou formulário ESG, autodeclaração dos fornecedores e consideração parcial de evidências como relatórios de sustentabilidade, certificações formais e políticas corporativas disponibilizadas.

O levantamento mostrou que 62% da cadeia avaliada estava concentrada em hotelaria e meios de hospedagem, segmento crítico para o turismo corporativo. Também foram mapeadas empresas de diferentes portes: 44% médias, 33% grandes, 18% pequenas e 5% microempresas.
O que o Score ESG revelou
O resultado consolidado indicou um Score Fornecedor de 0,65, em escala de 0 a 1. O pilar Social apresentou a maior maturidade, com score 0,82. Governança ficou em 0,62, enquanto Ambiental apareceu como a principal fronteira de evolução, com score 0,50.

Na leitura de maturidade, quase metade da cadeia já operava em padrões elevados: 28% em nível de excelência e 21% em nível avançado. Ao mesmo tempo, 29% dos fornecedores foram classificados em estágios básico ou inicial, sinalizando necessidade de desenvolvimento imediato.
- Curto prazo: trilha ESG obrigatória para hotelaria, requisitos ambientais mínimos, solicitação de políticas formais e identificação de riscos prioritários.
- Médio prazo: score ESG anual obrigatório, workshops temáticos, programa Parceiros Sustentáveis TH e estímulo ao inventário de carbono.
- Longo prazo: evolução contínua do desempenho ESG, metas setoriais, programa de descarbonização gradual e selo de fornecedor sustentável.
Cadeias de valor sólidas não se constroem apenas por contratos, mas por propósitos compartilhados, confiança mútua e compromisso com o futuro.
Grupo Tour House · Comitê ESG
Compras, resíduos e critérios ambientais entraram na rotina
A agenda ambiental avançou em duas frentes complementares: a incorporação de critérios ESG na cadeia de compras e a estruturação da gestão de resíduos. Em julho de 2025, a Política de Aquisição Responsável passou a estabelecer critérios ESG para processos de compra aplicáveis a colaboradores, fornecedores, parceiros e terceiros.

Na gestão de resíduos, o Grupo Tour House realizou seu primeiro inventário de resíduos do escritório, aprimorou processos de segregação e descarte, incorporou requisitos ambientais ao formulário de avaliação ESG de fornecedores e desenvolveu instrumentos de controle, monitoramento e rastreabilidade.

Carbono negativo e plataforma própria de compensação
O Grupo Tour House também manteve sua trajetória climática. Em 2025, o inventário de gases de efeito estufa, considerando escopos 1, 2 e 3, somou 44,999 toneladas de CO2e. A empresa compensou 54 toneladas, 20% acima do total emitido, reforçando o compromisso de operar como carbono negativo pelo quinto ano.
Outro marco foi o lançamento do TH Carbon Balance, plataforma própria de gestão e compensação de carbono para passagens aéreas corporativas. A solução calcula, compensa e certifica trimestralmente 100% das emissões de CO2 das passagens emitidas para clientes.
Mais de 6.800 impactos diretos
No eixo social, a agenda ESG gerou mais de 6.800 impactos diretos ao longo do ano, por meio de campanhas internas, ações de saúde e bem-estar, iniciativas de educação, projetos sociais e patrocínios institucionais, incluindo o LIDE Equidade Racial e o apoio ao Instituto EducaTodos.
O investimento social privado somou R$ 169.352 em 2025, distribuído entre educação, equidade racial, causas femininas e neutralização de carbono. O primeiro Censo de Diversidade, Equidade e Inclusão do grupo reuniu 222 respondentes e estabeleceu metas para 2030, incluindo 50% de líderes não brancos e crescimento de 20% na presença de pessoas LGBTQIAPN+ nas equipes.
O papel da IRL Consult no case
Para a IRL Consult, o case do Grupo Tour House mostra como uma agenda ESG estruturada pode evoluir em um único ciclo quando há método, governança e acompanhamento contínuo. A jornada saiu da materialidade e chegou ao dado mensurável, ao plano de ação, à cadeia avaliada, ao indicador ambiental, ao investimento social e ao relatório de sustentabilidade.
Mais do que produzir um documento, o trabalho ajudou a consolidar uma forma de gestão: sustentabilidade integrada à estratégia, às decisões operacionais e à criação de valor para clientes, fornecedores, colaboradores e sociedade.